conheça 4 iniciativas inovadoras em mobilidade urbana

Quem nunca sonhou uma cidade acessível e fácil de se locomover? Ainda estamos longe de um cenário ideal de mobilidade urbana nos municípios brasileiros. Não importa se você está de ônibus, ou num carro individual de luxo, a maior parte dos moradores de cidades brasileiras de médio e grande porte perdem um precioso tempo da sua vida tentando se deslocar dentro de sua cidade.

Além da irritação, estresse e cansaço, o trânsito intenso causa prejuízos econômicos e sociais. O tempo perdido no deslocamento para o trabalho nas regiões metropolitanas gera um custo de R$ 62,1 bilhões por ano, cerca de oito vezes o que o País investe anualmente na área, mostra estudo liderado pelo economista Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Isso sem falar nos altos índices de acidente no trânsito em território nacional.

Ao longo da história brasileira é possível notar um maior investimento no transporte automotivo individual em detrimento de outras formas de locomoção.

A capacidade viária é restrita e temos cada vez mais atores e veículos para dividir o mesmo espaço. A situação pede que pensemos melhor o uso desses espaços, de maneiras mais sociais e compartilhadas.  Os pedestres foram vítimas de quase metade dos acidentes de trânsito em São Paulo em 2017. De acordo com o Infosiga, banco de dados do governo estadual, das 308 mortes nas avenidas e ruas da cidade registradas nos quatro primeiros meses do ano, 143 foram de pedestres (46%). O número é 30% maior que o registrado no mesmo período de 2016.

A grande questão é que não há perspectiva de promoção de uma real mobilidade urbana no Brasil se as medidas adotadas privilegiarem o uso do transporte individual. É preciso, portanto, melhorar as características do transporte público de massa, com mais ônibus, metrôs e terminais. Além disso, incentivar outros modais de transporte como as bicicletas, bem como promover a integração entre os diferentes modais. E, desta forma, reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e melhorar a qualidade de vida no meio urbano.

Com estas transformações em mente, apresentamos 4 projetos que buscam melhorar a qualidade de vida e a acessibilidade das pessoas:

1 – VAMO em Fortaleza/CE

A proposta do VAMO (Veículos Alternativos para Mobilidade) é promover a mobilidade urbana sustentável por meio de uma rede de compartilhamento de carros elétricos, disponibilizados em Fortaleza (CE). Com início em 2016, atualmente são disponibilizados  20 carros 100% elétricos, sendo cinco do modelo “BYD e6” e quinze do modelo compacto “Zhidou EEC L7e-80” (todas são de fabricação chinesa). Os automóveis estão distribuídos em 10 estações. Pioneiro no Brasil, o projeto é sustentado por patrocinadores e pelos valores pagos pelos usuários, sem custos para o município. Para conhecer mais sobre o projeto acesse o link www.vamofortaleza.com

 

2 – A busca pela integração MultiModal em Curitiba/PA

A cidade de Curitiba possui uma política que busca a integração multimodal, criação participativa de um plano diretor metropolitano de transporte e mobilidade, implementação de anéis tarifários no transporte público, investimento em mobilidade não motorizada – privilegiando o ciclista e o pedestre – e promoção de transporte limpo e sustentável. “No país, eu vejo Curitiba como a única grande metrópole que possui uma política integrada de mobilidade”, disse Monteiro, da Compartibike.

 

 

3 – Projeto SOLUTIONS

O Projeto SOLUTIONS (Sharing Opportunities for Low Carbon Urban Transportation) é uma iniciativa que reúne 22 parceiros, 23 cidades com assistência direta e indireta, e mais de 70 especialistas no desenvolvimento e implementação de uma agenda de cooperação global por soluções de baixa emissão de carbono em transporte público, infraestrutura de transportes, logística urbana, planos de mobilidade urbana, gestão das redes de mobilidade urbana e veículos não poluentes. No Brasil está presente em Belo Horizonte/MG, Curitiba/PA, São José dos Campos/SP, Joinville/SC.

A intenção do programa é facilitar o diálogo e intercâmbio de iniciativas de mobilidade sustentáveis, promoção de políticas públicas de sucesso, fornecendo orientação e aconselhamento personalizado para os representantes municipais.

Para conhecer mais sobre o projeto clique no link Projeto SOLUTIONS

4 – TranSantiago no Chile

Em 2006 começou em Santiago, capital do Chile, uma transformação profunda no modo de pensar e fomentar a mobilidade urbana. Nasceu o Transantiago, sistema de corredores de ônibus que integrou o ônibus ao metrô.

A frota de ônibus da cidade estava sucateada e quase não havia interligações entre os meios de transporte. A cidade investiu em melhorias na infraestrutura para pedestres e ciclistas e se tornou referência em boas práticas para outras cidades da América Latina. No ano de 2016, Santiago levou o Prêmio Internacional de Transporte Sustentável, promovido pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento.

A capital chilena segue implementando políticas que facilitam o acesso à mobilidade.

Desde 2009, são disponibilizadas bicicletas em algumas estações de trem, para os usuários que querem seguir destino pedalando. O sucesso da iniciativa foi tão grande que o serviço BioBici levou o sistema a mais 12 estações. A ampliação possibilitou incorporar 40 novas bicicletas, juntamente com capacetes e cadeiras, que podem ser utilizados gratuitamente por qualquer pessoa.

Em 2015 chegou nas ruas o sistema  o sistema BMOV trici. Com design futurístico, sete triciclos oferecem passeios gratuitos no centro histórico da capital, Santiago. Eles devem ser utilizados preferencialmente por idosos, gestantes e pessoas com deficiência e suportam até três pessoas (o motorista e mais dois passageiros). O veículo possui pedais que funcionam juntamente com um motor elétrico e chegam a uma velocidade de 20 quilômetros por hora. Apesar de existir em uma pequena escala, o projeto chama a atenção pela gratuidade e pela importância do serviço.

Os veículos foram trazidos da China e são financiados exclusividade através de publicidade. O circuito começa na Plaza de Armas e passa em outros pontos turísticos como a Catedral Metropolitana, Correos de Chile, Palácio de La Moneda e termina no Mercado Central.

Em 2016 Michelle Bachelet, presidente do Chile, anunciou que 60% da energia usada pelo metrô de Santiago será fornecida, a partir de 2018, por meio de fontes solares ou eólicas.

 

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