A complexa missão de transformar atitudes

É comum percebermos quais são os problemas que nos afetam, difícil mesmo é transformar as próprias atitudes em relação a uma determinada situação. Mais difícil ainda é operar essa transformação num contexto mais amplo, como o da educação. 

Toda existência é um estado de consciência. Acreditamos que o processo de aprendizagem é fundamental para a ampliação de consciência, desenvolvimento de habilidades e consequente transformação de atitudes no sentido do bem comum. Neste contexto a relação professor estudante é fundamental para a construção de um mundo melhor!

O professor tem a possibilidade de evocar auto-percepção, capacidade de empatia, autonomia, trabalho em equipe, refinamento do senso de comunidade, capacidade crítica, entre outras habilidades fundamentais nos estudantes com quem partilha o processo de aprendizagem. Essas habilidades são a chave para produzir as transformações que apontem para um mundo melhor e que colaborem para a formação de sujeitos sociais que acreditam que são capazes de atuar no mundo.

De acordo com o educador e pesquisador Edgar Dale, a prática é a melhor forma para aprender de forma durável, constituindo uma forma eficaz para a construção de conhecimentos e habilidades. A apropriação do processo de aprendizagem pelos estudantes os empodera diante da vida, ampliando em cada um a consciência de si próprio e do contexto que estão inseridos. A abordagem pedagógica da Aprendizagem Baseada em Projetos fornece recursos interessantes para proporcionar uma relação ensino-aprendizagem frutífera e transformadora.

Aprendizagem Baseada em Projetos

A Aprendizagem Baseada em Projetos proporciona experiências de trabalho em equipe motivadas por desafios que exigem ações coordenadas para que determinados objetivos sejam alcançados. Essa abordagem consiste em três campos interligados em ciclos de continuidade:

1. Investigar e Planejar,

2. Colocar em Prática,

3. Questionar e Refletir.

Essa proposta parte de um convite a participação ativa dos estudantes, dando voz e vez para que se expressem com criatividade e protagonismo. Possibilitando discussões relacionadas aos mais diversos temas e que podem ocasionar mudanças objetivas e subjetivas e gerar soluções interativas e reflexivas. Diversas capacidades técnicas importantes na formação desses estudantes são convocadas, desafiadas e colocadas em curso para resolver um desafio comum.

Alguns exemplos

1. Escola Emaus de Educação Infantil, em Camaçari (BA)

Esta escola de educação infantil organiza suas aulas e seus estudantes de maneira diferente. No início do ano letivo os pequenos escolhem um tema que será trabalhado como guia para o professor desenvolver pesquisas e aulas junto com as crianças. Esta escola entende que as crianças chegam à escola com questões e indagações prévias que devem ser escutadas e valorizadas. E através da escuta dos participantes promovem o engajamento dos estudantes no seu processo de aprendizado. Processo este interdisciplinar e que vai além do conteúdo previsto no currículo.

2. Os Clubes Juvenis da Escola Estadual Doutor Antônio Ablas Filho,  em Santos (SP)

Todos semestre os estudantes desta escola tem a oportunidade de se reunir em Clubes Juvenis que contam com um líder e um vice-líder. Cabe a cada grupo definir um projeto sobre o qual desenvolverá seus estudos. O projeto é constituído de um objetivo, metodologia e lista de materiais, e passa pelo crivo da direção escolar. Uma vez constituídos os demais estudantes podem aderir através de inscrições. Cada grupo conduz o processo de aprendizagem de maneira autônoma junto aos demais estudantes que escolheram participar. São formados grupos que mesclam as séries, misturando estudantes de diferentes idades que compartilham interesses e são estimulados a buscar soluções em diversas áreas do conhecimento simultaneamente. Ao final de um percurso de um semestre de duração, cada grupo apresenta seu portfólio de trabalho.

3. Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos Salles, em São Paulo (SP)

No lugar de carteiras individuais,  mesas para pequenos grupos. No lugar de várias pequenas salas de aulas, grande salões de estudo. No lugar da aula expositiva, os estudantes passaram a receber roteiros de estudo, nos quais, desenvolvem percursos de aprendizagem individuais e em grupo sobre os mais diferentes campos do conhecimento. Esta escola não adota mais o modelo padrão de aulas dividas em 45 minutos e ministrada apenas por um docente. Há também a preocupação de que os roteiros de estudo estimulem a interdisciplinaridade e, por consequência, o pensamento e a investigação contextualizada. É importante ressaltar que toda transformação ocorrida na escola envolve a comunidade

Você conhece outras iniciativas de Aprendizagem Baseada em Projetos?

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